Viena em 48 horas, 4 livrarias e infinitos cafés

Guia Viena por Isabella von Haydin

A vista de dentro do Palácio Belvedere
A vista de dentro do Palácio Belvedere

Recentemente, ouvi de austríacos que eles quase não consideram Viena parte da Áustria. Na hora, me perguntei se era uma rixa meio interior vs cidade, mas quando pisei lá pela primeira vez, entendi tudo. 

Viena não tem nada a ver com a imagem tradicional que a gente faz da Áustria. É viva, jovem e conversa muito bem com o moderno e o antigo, que é preservado e celebrado. Depois de Saalbach, onde estive recentemente, tudo é muito mais fresco, mesmo que esteja lá há séculos. 

Em pouco mais de 48h: 4 livrarias, 2 museus, 1 walking tour, algumas lojinhas e muito schnitzel e cerveja.

O Café Landtmann e a decoração clássica vienense
O Café Landtmann e a decoração clássica vienense

A primeira programação foi café da manhã no Café Landtmann, para poder respirar o mesmo ar que Freud respirou. O chocolate quente da casa estava cremosinho na medida, mas fomos aventureiras demais ao pedir o café vienense: a salsicha pálida assustou. 

A segunda parada foi o walking tour que achamos no GuruWalk, modelo pague o que quiser, mas com reserva no site. Fazemos muito isso em viagens e sempre amamos poder aprender diretamente com locais. Nosso fun fact favorito: os cafés da cidade são considerados patrimônios imateriais pela Unesco.

Dito isso, tomar café com calma em vários locais da cidade também foi uma das nossas programações preferidas. Lá, não vão te trazer a conta logo após o fim da refeição e muito menos esperar que você libere a mesa o quanto antes. Também tá liberado pedir só um café e ficar. O esperado é exatamente isso: sentar, ler, conversar… Sem pressa.

Amamos também descobrir porque o café sempre vinha acompanhado de um copo de água: nosso guia disse que é para mostrar que o café é bom e feito com água de qualidade (eles se orgulham bastante da água de lá), mas meu fact checking online disse que é apenas um gesto de hospitalidade. Fica aí o mistério.

Importante saber que, assim como em muitos lugares da Europa, quase tudo fecha aos domingos, então mantemos isso em mente na hora de montar nosso roteiro e no sábado fomos nas livrarias e lojinhas que estavam na nossa lista.

Tem uma Shakespeare & Co por lá com livros em inglês, mas não é tão especial quanto a sua irmã parisiense.

Por dentro da Softcover
Por dentro da Softcover

A melhor descoberta foi a Softcover, um espaço focado em zines, revistas independentes, livros de fotografias e outras obras peculiares. Comprei um livrinho em formato de caixa de cigarro, só com fotos de pessoas fumando em casamentos na China. Lá, existe a tradição de a noiva acender cigarros para os convidados.

A cidade em si é muito gostosa de sair andando sem rumo e é cheia de jardins e praças. Um espaço que adoramos explorar foi o Museumsquartier, 15 minutos a pé de distância do nosso hotel. É uma espécie de praça expandida: museus, instalações, cafés, lojas, tudo convivendo no mesmo espaço. Fomos na Buchhandlung Walther König, que tem vários gêneros de literatura, livros de arte, de fotografia, de política…

Lobby do Hotel MOTTO
Lobby do Hotel MOTTO

E falando em hotel, nos hospedamos no Hotel MOTTO, uma propriedade boutique no centro da cidade. Não mudaríamos nada: o metrô era ao lado, o chuveiro gostoso, nosso quarto espaçoso, bem iluminado e silencioso.

O merch deles
O merch deles
Banheiro com box >>
Banheiro com box >>

A decoração é inspirada num affair entre Viena e Paris. Eles misturam o clássico vienense com uma estética quase punk, com tecidos, estampas e móveis vintage e detalhes feitos sob medida. Até o merch deles era descolado, não esqueço os bonés escrito MOTTO Girl e MOTTO Boy. 

Avocado toast but make it Chez Bernard
Avocado toast but make it Chez Bernard
A decoração>>
A decoração>>

O café da manhã não era incluso, mas fizemos questão de conhecer e foi ótimo. Ele acontece no Restaurant et Bar Chez Bernard, dentro do próprio hotel, e funciona à la carte. Lota nos finais de semana, então mesmo hospedadas nos certificamos de reservar com a recepção. As opções são mais saudáveis, mas não deixam de ser saborosas, tudo bem fresco e colorido. Descobrimos depois que o restaurante tem selo Bib Gourmand do Guia Michelin, aquele que reconhece lugares com ótima comida a preços mais acessíveis.

Cozy corner do Hotel MOTTO
Cozy corner do Hotel MOTTO
Aceita uma cama escandinava?
Aceita uma cama escandinava?

Outro aspecto que amei da hospedagem foi a presença de dois cobertores, na pegada da cama escandinava. Confirmamos: dorme-se melhor quando ninguém puxa o cobertor. Eu diria que o hotel traduz exatamente a sensação que tive de Viena: muito descolada e moderna sem deixar de valorizar elementos e aspectos mais tradicionais.

Outro highlight é o Palácio Belvedere. Compramos online e chegamos cedo, o que nos poupou de uma fila enorme e pudemos olhar o jardim com calma. Recomendo chegar cedo e sair correndo para ver O Beijo, do Klimt, porque a sala fica uma loucura. Para além do óbvio, a forma como eles organizam as placas e informações do espaço torna a visita ainda mais legal.

A vista do topo do Palácio de Schönbrunn
A vista do topo do Palácio de Schönbrunn

No segundo dia, fomos também ao Palácio de Schönbrunn, mas não o vimos por dentro. Como nossa lista era grande, passeamos no jardim e aproveitamos para subir na colina que fica atrás: lindo, maravilhoso e 10/10.

Schnitzel do Lugeck
Schnitzel do Lugeck

Quando se fala de gastronomia, para além do café do Hotel MOTTO, curtimos andar pelo Naschmarkt apesar de no domingo a maioria dos pontos de lá estarem fechados. Comemos schnitzel no Zur Eisernen Zeit e foi uma delícia. Despretensioso e com lugar lá fora no sol. Outro memorável foi o Lugeck, do mesmo dono do famoso Figlmüller, mas sem as filas quilométricas. Ainda no papo culinária local, também gostamos do Glacis Beisl e de disputar por uma mesa no Palmenhaus para tomar um drink e comer uma sobremesa. Muito gostoso e bonito.

Outra surpresa boa: Viena é uma cidade cheia de opções para os veganos. Infelizmente já não sou mais nem vegetariana, mas não lembro da última vez em que havia visto tantas opções em restaurantes “normais”, além de cafés e mercadinhos espalhados por toda a cidade. Foi um dos destinos em que me senti mais à vontade viajando como um casal de duas mulheres, amamos ver os sinais de trânsito com casais homoafetivos. Nos sentimos muito bem, tranquilas e seguras.  

Saí de Viena com a sensação de que ainda tinha muito pra descobrir e com vontade de voltar antes mesmo de ir embora. Hotel MOTTO, me convida de novo?

*Isabella se hospedou no Hotel MOTTO a convite do estabelecimento.