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A cor está ficando anti-IA?

AI aesthetics, “my room, my rules” da Gen-Z e a volta da cor

Quanto mais fácil ficou criar uma imagem perfeita, mais difícil é criar uma imagem com personalidade. A estética produzida por inteligência artificial já tem seus próprios códigos: interiores impecáveis, luz impossível, materiais sem uma marca sequer, gradientes suaves, paletas neutras e aquele tipo de beleza que funciona muito bem justamente porque não incomoda ninguém. É o que alguns já chamam de AI aesthetics: uma espécie de bom gosto médio, polido e infinitamente reproduzível.

Talvez por isso esteja acontecendo um movimento interessante na direção contrária. A Architectural Digest chamou atenção recentemente para uma mudança no próprio conceito de “bom gosto”: depois de anos de minimalismo, ambientes cada vez mais personalizados, estranhos e difíceis de categorizar começam a ganhar espaço. A questão não é simplesmente trocar o bege por uma parede vermelha, mas abandonar a ideia de que existe uma fórmula universal para uma casa, uma marca ou uma imagem parecer bonita. A IA consegue reproduzir o que já foi aprovado, salvo e compartilhado. O que ela não tem é uma história para contar sobre por que aquele objeto ficou ali.

E a cor está no centro dessa virada. Na moda, a Pantone descreveu a temporada Primavera/Verão 2026 da New York Fashion Week como uma celebração da expressão individual, com combinações mais livres e contrastantes, uma resposta explícita à crescente homogeneização provocada pela inteligência artificial. No design, a mesma vontade aparece na volta do maximalismo, das combinações improváveis e de espaços que parecem ter sido montados por uma pessoa específica, e não por um algoritmo.

A Geração Z parece especialmente interessada nessa quebra de padrão. Em vez do apartamento todo branco ou da casa perfeitamente “Pinterestificada”, entram paredes coloridas, móveis de segunda mão, objetos herdados, estampas que não combinam e escolhas que dizem mais sobre quem mora ali do que sobre o que está em alta. O Pinterest registrou uma alta de 415% nas buscas relacionadas à ideia de “my room, my rules”, enquanto tendências de cor e color drenching aparecem entre os sinais dessa busca por espaços mais pessoais.

Talvez seja porque, depois de tantos anos tentando deixar tudo visualmente coerente, começamos a sentir falta de coisas que tenham assinatura. Uma cor pode fazer exatamente isso. Ela pode transformar uma parede em marca registrada, uma fachada em referência de bairro, um objeto em memória. E, quando chega ao espaço público, pode fazer algo ainda mais interessante: dar identidade a um lugar que milhares de pessoas compartilham.

É nesse território que entra a Cor Muda Tudo, plataforma da Suvinil que parte da ideia de que a cor transforma espaços e pessoas. Mais de 70 quadras do interior de Minas Gerais foram transformadas pelo artista Jorge Felipe, da Ori Interiores, trabalhando com paletas primárias e geometria para criar uma identidade visual própria para espaços que já fazem parte da vida das comunidades e a Suvinil entra com apoio de cor e logística.

Talvez seja esse o verdadeiro poder da cor em um mundo de imagens infinitas: ela faz uma escolha ser autêntica A IA pode produzir mil versões de uma quadra. Mas aquela combinação de vermelho, azul e amarelo, naquele lugar, sob aquela luz, com aquelas pessoas atravessando o espaço, só existe ali.

A cor não precisa ser anti-IA. Ela é só uma das formas mais humanas de dizer: eu escolhi assim. Cor Muda Tudo!

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