por Lidiane Queiroz de Oliveira

Tivemos a oportunidade de conhecer um lugar que entende que manter uma conexão profunda com a comunidade local e proporcionar uma experiência autêntica aos hóspedes é o verdadeiro luxo.
No AlmaLusa Comporta, a recepção calorosa, a personalização do atendimento e a localização fazem um convite irresistível para desacelerar e descobrir com calma — e a pé! — a aldeia.
Imagine poder viver a essência da Comporta, mesmo com todo o boom do turismo: quartos e espaços decorados com peças de artesãos locais, paredes com a exposição da artista residente Celia Rogge e com retratos do fotógrafo João Trindade, que morou com pessoas da comunidade para captar rostos que contam histórias.

Pode parecer estranho hoje, quando a Comporta é um dos destinos de praia e verão mais desejados — inclusive por celebridades como George Clooney, Paris Hilton, Meghan Markle e Christian Louboutin — mas, durante boa parte de sua história, o mar quase não fazia parte da vida cotidiana por ali. As praias eram praticamente ignoradas como lugar de lazer. A vida acontecia nos arrozais, nos canais e na aldeia.

Quem nos ajudou a entender essa história foi Manuel Horta e seu tour de preciosidades locais. Criado na Comporta, ele cresceu em uma família que faz parte da história da aldeia e fez questão de nos mostrar as ferramentas usadas pelo pai e pelo avô na lida com o arroz. Ambos trabalharam durante anos na Herdade da Comporta.

Enquanto caminhávamos, Manuel ia contando histórias e cumprimentando amigos e familiares pelo caminho. Foi assim que conhecemos o Sr. Armandino Severino, em um café local. Ele começou a trabalhar no arroz aos 9 anos, foi guarda florestal e guarda histórias de uma Comporta muito diferente. Na época, contou, era o sino que marcava a hora de trabalhar.
Hoje, ele tem uma horta, produz o próprio vinho e aguardente. E ouvir suas histórias ajuda a lembrar que, por trás dos arrozais que hoje parecem compor naturalmente a paisagem, existe uma cultura de trabalho que definiu a região durante décadas.

Depois de uma manhã na praia, um almoço sem pressa no restaurante São João e compras de cerâmica portuguesa na Life of Juice, você pode passar no Museu do Arroz para conversar com o Sr. Mateus, que começou a trabalhar com arroz aos 10 anos e conhece de perto uma das atividades que por décadas definiu a vida da Comporta.

Foi ele quem nos explicou por que a Comporta tem esse nome e alguns dos segredos por trás de pratos típicos da região, como o arroz de mariscos, com camarão, amêijoas e mexilhões.
“O arroz vai mudando, são muitas variedades. O Opala é o da Comporta, uma variedade de arroz Carolino, perfeito para pratos cremosos e com mariscos.”
O papo vai ser bom, mas não deixe de conferir se há alguma exposição no prédio em frente. Nós tivemos sorte e vimos Ernesto Neto, Lygia Pape e mais em uma exposição coletiva da Kubik Gallery.

Termine o dia na Piadinas Zanotta, ou vá para o nosso lugar preferido para o pôr do sol: o The RoofTop Bar, com boa música, coquetéis bem executados, um menu com ingredientes locais interpretados com criatividade e uma vista de tirar o fôlego para os arrozais, que ganham uma dimensão ainda mais vasta depois de mergulhar na história da Comporta.
