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Abram alas para elas: as mulheres que moldaram o Carnaval brasileiro

O Carnaval brasileiro, uma das maiores manifestações culturais do mundo, nasceu do encontro entre festa, resistência e cultura afro-brasileira. Ainda assim, por muito tempo, as mulheres ficaram fora do centro da narrativa, presentes nos bastidores, nas cozinhas, nos terreiros e nas rodas de samba, raramente no foco da cena. Mesmo assim, foram elas que sustentaram a festa quando ela ainda não tinha nome, avenida ou transmissão.

As tias do samba, como Tia Ciata, abriram suas casas para que o samba sobrevivesse à repressão. Chiquinha Gonzaga e, mais tarde, Dona Ivone Lara, ocuparam o espaço da criação musical quando isso ainda era exceção. Madrinha Eunice fundou a Lavapés, a escola de samba mais antiga de São Paulo. Hilda Dias dos Santos ajudou a criar o Ilê Aiyê, reafirmando o Carnaval como território de ancestralidade negra. Mãe Menininha do Gantois garantiu que a espiritualidade afro-brasileira fosse respeitada dentro da festa. Antes de existir espetáculo, já existia estrutura, e ela era feminina.

Com a consolidação das escolas de samba no século XX, o corpo feminino começa a avançar para o primeiro plano. Mas esse movimento não acontece sem atrito. Quando Eloína dos Leopardos assume, nos anos 1970, o posto que viria a ser conhecido como rainha de bateria, ele ainda nem existia oficialmente. Sua presença não era decorativa. Era comando, ritmo e liderança em plena avenida.

Nas décadas seguintes, o Carnaval se transforma também em imagem. Carmem Miranda projeta a estética carnavalesca para o mundo, enquanto a Sapucaí se torna palco de uma nova forma de expressão. Nos anos 1980 e 1990, figuras como Luma de Oliveira, Monique Evans, Nana Gouvêa e Valéria Valenssa deslocam o olhar. A fantasia perde volume e ganha intenção. A pele aparece, a pintura corporal assume protagonismo, os símbolos falam mais alto que o excesso. O corpo feminino deixa de ser moldura e passa a ser mensagem.

A avenida se afirma, então, como um dos espaços mais potentes de criação visual do país. Moda, arte, cultura pop e ancestralidade se cruzam ali sem hierarquia. Cada fantasia carrega uma leitura do seu tempo. Cada escolha estética revela um posicionamento.

Nos anos 2000, surge uma nova configuração da rainha de bateria. Viviane Araújo e Sabrina Sato unem entrega física, disciplina e presença midiática contínua. A rainha deixa de ser apenas imagem e passa a ser trabalho, constância e identidade construída ao longo dos anos.

Hoje, o Carnaval atravessa um novo momento. Paolla Oliveira, Evelyn Bastos, Quitéria Chagas, Raíssa de Oliveira e Mayara Lima representam uma geração que recoloca a história no centro. O brilho permanece, mas agora divide espaço com pertencimento, território e consciência. A fantasia não serve apenas para encantar quem vê de fora, mas para reafirmar raízes, comunidades e narrativas próprias. O corpo deixa de ser objeto e se afirma como história em movimento.

Hoje, o Carnaval atravessa um novo momento. Paolla Oliveira, Evelyn Bastos, Quitéria Chagas, Raíssa de Oliveira e Mayara Lima representam uma geração que recoloca a história no centro. O brilho permanece, mas agora divide espaço com pertencimento, território e consciência. A fantasia não serve apenas para encantar quem vê de fora, mas para reafirmar raízes, comunidades e narrativas próprias. O corpo deixa de ser objeto e se afirma como história em movimento.

O Carnaval continua sendo moda. Mas também é memória, cultura viva e futuro em construção. E, sobretudo, é feminino. Porque Incrivelmente Brasil é isso: um país que transforma história em estética, corpo em expressão e o Carnaval no seu reflexo mais verdadeiro.

Publi Editorial para a Riachuelo e seu Carnaval Incrivelmente Brasil

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