A última experiência humana que não dá para otimizar
Dormimos com um aplicativo monitorando o sono. Treinamos olhando para o relógio. Medimos passos, calorias e frequência cardíaca. A onda da otimização já chegou ao esperma e até ao banheiro. Vivemos cercados por métricas e pela promessa de que sempre existe uma forma mais eficiente de fazer qualquer coisa.
Mas existe um território onde essa lógica parece falhar.
Nesta sexta-feira é celebrado o Dia do Orgasmo e, para marcar a data, nos unimos à Lubs, marca brasileira de sexual-care, para nos aprofundarmos nesta edição sobre a última experiência humana que não melhora quando tentamos controlá-la: o prazer.

A psicologia sexual tem até um nome para esse fenômeno: spectatoring. O conceito foi desenvolvido pelos sexólogos William Masters e Virginia Johnson e, mais tarde, aprofundado pela psicoterapeuta Helen Singer Kaplan. Ele descreve o momento em que a pessoa deixa de viver a experiência para começar a observá-la de fora: “Será que estou demorando?”, “Será que estou fazendo certo?”, “Será que a outra pessoa está satisfeita?”. Em vez de sentir, ela passa a se avaliar.
O curioso é que essa autovigilância produz justamente o efeito contrário. Quanto maior a preocupação com a performance, maiores as chances de reduzir a excitação, a conexão e a satisfação.
A neurociência chega à mesma conclusão por outro caminho.
Em uma série de estudos de neuroimagem, o neurocientista holandês Gert Holstege observou que, durante o orgasmo, regiões do cérebro associadas ao monitoramento constante, ao julgamento e ao autocontrole diminuem significativamente sua atividade. É como se, por alguns instantes, o cérebro desligasse justamente os mecanismos responsáveis por nos manter atentos e vigilantes.
Em outras palavras: o prazer depende, literalmente, de perder um pouco o controle.
Essa ideia aparece também no trabalho da pesquisadora Emily Nagoski, autora de Come As You Are. Em vez de pensar o desejo como um acelerador que precisa ser constantemente estimulado, ela propõe outra metáfora: nosso cérebro funciona também com freios. Estresse, ansiedade, cobranças, insegurança, preocupação com desempenho: tudo isso aciona esses freios e dificulta a experiência do prazer. Muitas vezes, a questão não é encontrar formas de “aumentar” o desejo, mas de diminuir aquilo que o bloqueia.

Talvez seja esse o grande paradoxo da nossa época.
Passamos o dia tentando hackear o corpo para fazê-lo render mais. Só que uma das experiências mais intensas que ele pode proporcionar continua funcionando na direção oposta: ela exige presença em vez de performance, curiosidade em vez de controle e atenção ao momento, não ao resultado.
A boa notícia é que a presença também pode ser cultivada. Diminuir distrações, desacelerar, criar um ambiente confortável, cultivar intimidade e explorar novos estímulos ajudam o cérebro a sair do modo de vigilância. Nesse contexto, produtos de sexual care não são sobre performance, mas sobre facilitar essa transição. Um lubrificante pode aumentar o conforto, um óleo de massagem pode transformar o toque em um ritual, e uma vela pode sinalizar ao cérebro que é hora de desacelerar.
No fim das contas, talvez o melhor “hack” para a presença seja justamente abandonar a lógica dos hacks.
Para celebrar a data, todos os produtos Lubs estão com 50% no site.
Dentre todos os prazeres, também o de usar Lubs.
