Há fases da vida que merecem ser nomeadas de um jeito tão interessante quanto aquilo que acontece nelas.
Toda semana, a seção Pra se Aprofundar traz reflexões para alimentar seu repertório e um mergulho em temas que estão moldando o presente e o futuro, a partir de pesquisas, análises e referências. Nesta edição, em parceria com Varilux, as lentes multifocais número 1 do mundo, propomos um novo olhar sobre as fases da vida.
Temos uma obsessão curiosa por atribuir metas às décadas da vida. Aos 20, você deveria estar descobrindo quem é. Aos 30, construindo alguma coisa. Aos 40, entrando numa fase de mais estabilidade. Aos 60, chegando na aposentadoria. O problema é que ninguém parece ter combinado exatamente quando essas fases começam e, cada vez mais, a vida real não cabe nelas.
Talvez por isso a internet adore inventar nomes para celebrar as diferentes fases da vida. A idade da loba, por exemplo, transformou uma faixa etária em um momento de potência, desejo, independência e segurança, uma fase com códigos próprios, novas vontades e muito a descobrir. O nome pegou porque traduzia uma percepção que já estava no ar: há fases da vida que merecem ser nomeadas de um jeito tão interessante quanto aquilo que acontece nelas.
Os 40+, por exemplo, estão cada vez mais associados a uma fase dinâmica, cheia de transformações, escolhas e novas experiências. Uma reportagem daThe Atlantic foi atrás de entender quando começaria essa virada de chave. A resposta é deliciosamente imprecisa. Pesquisas chegam a números diferentes, as pessoas discordam entre si e a própria psicóloga Margie Lachman, que há mais de três décadas estuda o assunto não chega a número mais preciso. Mais curioso ainda é que a idade atribuída a nova fase muda conforme envelhecemos — o nosso ponto de vista e a forma de enxergar nós mesmos e o mundo, também. Pessoas na casa dos 20 situam seu início por volta dos 39 ou 40. Entre pessoas na casa dos 70, ele aparece mais perto dos 48 ou 49. Ou seja: nem a idade em que essa nova etapa começa é fixa. Nossa percepção sobre ela muda conforme a gente vive.
A discussão faz parte de uma conversa cultural maior. Em cartaz no Wellcome Collection, em Londres, a exposição The Coming of Age reúne arte, ciência e cultura popular para questionar justamente as ideias que temos sobre as diferentes etapas da vida. À medida que as pessoas vivem mais e de maneiras diferentes, a exposição propõe repensar como experiências de idade são moldadas pela cultura e pela sociedade — e, consequentemente, o que esperamos de cada momento da vida.
E talvez seja por isso que pensar nos 40+ apenas como uma idade de transição seja pouco. A própria Lachman prefere observar os papéis que ocupamos. É comum, nessa fase, estar entre gerações: orientar pessoas mais jovens, apoiar pais, liderar equipes, cuidar de filhos, tomar decisões e acumular responsabilidades. Mas há também uma combinação interessante de repertório e possibilidade: já conhecemos melhor nossas prioridades, temos mais autonomia para escolher nossos caminhos e ainda há muito espaço para experimentar, aprender e mudar. Não é uma fase de chegar. É uma fase de continuar.
Quando as lentes mudam, enxergamos as fases da vida de outra forma
Há, porém, uma mudança de perspectiva que não é apenas metafórica. A partir dos 40, os olhos também entram em uma nova fase. A presbiopia é uma mudança natural relacionada ao envelhecimento do cristalino que dificulta o foco para objetos próximos e costuma se tornar perceptível depois dos 45 anos. É quando o celular começa a ser afastado alguns centímetros, a leitura pode exigir mais luz ou um detalhe próximo passa a pedir um pouco mais de esforço.
É nesse ponto que visão e perspectiva deixam de ser apenas uma metáfora. Enxergar bem passa a significar acompanhar uma vida que pode significar mudanças de foco. E é justamente para essa experiência que a Varilux XR Series foi desenvolvida: uma lente multifocal responsiva ao comportamento natural dos olhos, desenvolvida com inteligência artificial e tecnologia XR-motion, capaz de oferecer nitidez instantânea mesmo em movimento e uma transição suave entre diferentes distâncias. A tecnologia considera o perfil visual individual e busca otimizar a experiência binocular e a acuidade visual em diferentes direções do olhar.
Se o tempo muda a nossa perspectiva, também muda o que escolhemos fazer com ele, aquilo para o qual prestamos atenção e as coisas que ainda queremos descobrir.
Créditos imagem: James Turrel